Governança Climática no Brasil: ciência, território e integração de saberes

Enquanto o debate climático ganha visibilidade, políticas e projetos ainda ignoram as raízes sociais e territoriais da crise.

Por Pedro Boreck & Victoria Alves | NaqīKarbon

Uma paisagem montanhosa verdejante com lhamas pastando ao fundo, e texto sobre sociologia e antropologia do meio ambiente. Integração de Saberes para enfrentar a crise climática.

A crise climática não é apenas física. É histórica, social e política. Medir carbono, modelar cenários ou instalar tecnologias não resolve desigualdades nem garante que projetos ambientais funcionem onde realmente importam.

Nosso relatório mais recente — Sociologia e Antropologia do meio ambiente: diálogos interdisciplinares para enfrentar a crise climática — parte desse ponto. Políticas climáticas eficazes exigem ciência, território e decisão conectados.


Evidência e análise

Com base em evidências concretas e estudos de caso, o artigo percorre um caminho analítico que conecta teoria, dados e implicações para a governança climática:

> Desigualdade estrutural

Em Mariana e Brumadinho, 68–84% das vítimas eram pretas ou pardas. A crise climática reproduz padrões históricos de vulnerabilidade.

> Ciências sociais não são complementares

Henri Acselrad, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Paul Little e Bruno Latour mostram que “meio ambiente” não existe fora do humano. Povos indígenas e comunidades tradicionais vivem a natureza como política, cultura e território. Ignorar isso é erro de implementação.

> Ciência natural com contexto

Fotossíntese C₄: mesmo fenômeno bioquímico depende de manejo e decisão. Modelos que padronizam carbono criam ativos sem conexão real com o território.

> Estudos de caso

BurrenLIFE (Irlanda) e Floresta+ Amazônia (Brasil) mostram: práticas tradicionais integradas em políticas públicas podem produzir resultados consistentes. A escala importa.

> Mercado e integridade

A entrada de capital só funciona se houver arquitetura institucional que alinhe incentivos econômicos e integridade socioambiental. SBCE, SEMC e políticas territoriais são exemplo disso no Brasil.


O país estrutura seu mercado de carbono. Mas velocidade não pode sacrificar integridade. A Ética Climática Estruturada, framework desenvolvido na NaqīKarbon, traduz princípios em critérios operacionais. Conectando ciência, território e decisão.


Baixe a análise completa
Com dados recentes sobre desigualdade, análise de casos internacionais e brasileiros, reflexões sobre ciências sociais na governança climática e propostas para mercados de carbono com integridade.


Sobre os autores

Victoria Alves — bióloga, doutora em Biotecnociência (UFABC). Atua no desenvolvimento de soluções aplicadas à descarbonização de cadeias produtivas e governança climática.

Pedro Boreck — cientista social (UNIFESP). Atua na análise de dinâmicas socioambientais, com foco em justiça climática e estruturação de políticas territoriais.


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NaqīKarbon | Consultoria em Descarbonização Sustentável com Ética e Rastreabilidade.

Comentários

2 respostas a “Governança Climática no Brasil: ciência, território e integração de saberes”

  1. […] pressão sobre recursos hídricos, degradação territorial, impactos sobre comunidades locais — tendem a permanecer no território. A decisão e o valor, não. É nesse descompasso que se consolidam padrões conhecidos: […]

  2. […] Download do Relatório: NaqīKarbon Reports | Sociologia e Antropologia do meio ambiente: diálogos interdisciplinares para … […]

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