Por Victoria Alves, PhD | NaqīKarbon
No filme Prometheus (2012), uma missão interestelar parte em busca da origem da humanidade, reunindo uma equipe formada por biólogos, geólogos, engenheiros, arqueólogos e outros especialistas. Um sonho interdisciplinar, certo?
Nem tanto.
O que deveria ser um exemplo de sinergia entre diferentes saberes acaba revelando um problema muito real: a falta de diálogo efetivo entre áreas do conhecimento, egos inflados, decisões desconectadas da ciência e uma perigosa subestimação da complexidade do desconhecido. No filme, vemos as seguintes situações:
- O biólogo ignora protocolos básicos de biossegurança;
- O geólogo se perde dentro da caverna — que ele mesmo mapeou;
- Descobertas são feitas sem análise colaborativa;
- Decisões críticas são tomadas por um comando que não pratica a escuta ativa.
A ficção científica exagera, mas provoca reflexões importantes. Projetos transformadores exigem mais do que especialistas reunidos em um mesmo espaço — exigem conexão genuína entre áreas, humildade epistêmica e, sobretudo, a capacidade de aprender com o outro.
Se até numa missão para outro planeta a falta de integração pode ser fatal, imagine os desafios que enfrentamos aqui na Terra: mudanças climáticas, insegurança alimentar, crises de saúde pública…
A pergunta que fica é simples, mas fundamental:
Como estamos construindo nossas expedições aqui na Terra?
*Esta nota foi publicada originalmente no blog da NaqīKarbon em 10 de julho de 2025 e integra agora o acervo institucional da organização.
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